A minha Relação com o Rio Sorraia

A minha relação com o rio Sorraia

Tudo começa na década de 60, umas idas ao rio com os meus pais, umas vezes para a lavagem das roupas, outras para a pesca, na zona do Papelão

Alberto Santos

Por Alberto Santos

Tudo começa na década de 60, umas idas ao rio com os meus pais, umas vezes para a lavagem das roupas, outras para a pesca, na zona do Papelão.

Seguem-se mais tarde as fugas para as aventuras e pescarias, já acompanhado dos amigos da escola. Entre mergulhos, barcos improvisados e algumas invasões das bateiras quando os pescadores profissionais se encontravam ausentes, assim crescíamos num ambiente saudável e sem que nos apercebêssemos. Os mais curiosos tornaram-se pequenos biólogos ao competirem pelo número de espécies que cada um conseguia identificar no rio.

Caminhada Juntos pelo Sorraia

Seguem-se os anos, o rio torna-se local de meditação e de caminhadas, de pesca já nem tanto, são poucos os locais que já o permitam. O rio perde-se em si mesmo, as águas das cheias já não o limpam, a fauna e a flora altera-se. Imigrantes indesejados instalam-se perante a indiferença de muitos. Os outros, partem para outras paragens, ou morrem ignorados por aqueles que vivem do rio mas os desconhecem ou ignoram.

As barcas não voltarão a subir o rio até aos rápidos do Furadouro, o rio já não corre como corria, a água é escassa, o acumular das areias e lamas transforma-o numa fina lâmina de água, tapada por um verde indesejado que a sufoca.

.

“As previsões para o futuro não são as melhores, desencorajam, mas ainda estamos a tempo de o cuidar, de lhe devolver a dignidade de ser um rio, de criar as condições para o regresso das espécies autóctones.”

Temos de o conhecer, temos que o divulgar, temos que disfrutar do que ele nos pode dar. Um rio é um ciclo de vida, nasce, percorre o seu curso, chega ao mar e tudo recomeça.

Interromper este ciclo é interromper a sua, a nossa existência. Salvar o rio não é um pedido, é uma obrigação.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *