Sandra Alcobia “O Rio Sorraia atravessa uma situação alarmante”

o rio Sorraia atravessa nos nossos dias uma situação alarmante

80% da sua extensão encontra-se coberta por um denso tapete de jacinto de água (Eichhornia sp), planta infestante oriunda da bacia amazónica

"Estas plantas aquáticas, introduzidas principalmente para fins ornamentais, apresentam a particularidade de se reproduzirem e replicarem muito rapidamente, podendo duplicar a sua população em apenas 5 dias "
Sandra Alcobia
Sandra Alcobia
Bióloga

O maior afluente do rio Tejo, o Sorraia, apresenta uma bacia hidrográfica com cerca de 7700km2 numa extensão de 60 km entre a freguesia do Couço, onde nasce, e a ponta da erva onde desagua, já em território da Reserva Natural do Estuário do Tejo. Desempenhou ao longo dos tempos um importante papel na cultura de regadio dos Concelhos que atravessa: Coruche, Benavente e Vila Franca de Xira, não apenas como principal recurso a nível hídrico, como também como um importante meio de comunicação para escoamento dos produtos de origem agrícola. É ainda reconhecido como Corredor Estruturante Secundário da Rede Ecológica Metropolitana, entre outros.

Bacia Sorraia
Bacia Hidrográfica do Tejo

Outrora navegável, o rio Sorraia atravessa nos nossos dias uma situação alarmante onde cerca de 80% da sua extensão se encontra coberta por um denso tapete de jacinto de água (Eichhornia sp), planta infestante oriunda da bacia amazónica considerada como uma das piores espécies invasoras.

Jacinto de água

 Estas plantas aquáticas, introduzidas principalmente para fins ornamentais, apresentam a particularidade de se reproduzirem e replicarem muito rapidamente, podendo duplicar a sua população em apenas 5 dias onde cada fragmento pode ser arrastado pela corrente e originar novos focos de invasão. Sendo favorecida por águas ricas em nutrientes, principalmente azoto, fósforo e potássio, encontra ao longo deste rio condições de excelência para a sua propagação, resultantes das actividades agrosilvo-pastoris.

Jacinto de água

O denso tapete que forma á superfície de água conduz à alteração de todo o ecossistema aquático. A retenção de luz e o aumento de massa vegetativa no curso de água contribuem para uma diminuição da qualidade da água, diminuição da biodiversidade aquática e consequentemente diminuição das restantes espécies que dele dependem como fonte de recurso alimentar. A falta de controlo desta espécie invasora traduz-se numa inevitável eutrofização e morte anunciada de um rio.

Actualmente, actividades de ordem lúdica outrora praticadas no rio Sorraia como a pesca, canoagem, remo ou passeios de barco são impraticáveis na grande maioria da sua extensão devido ao impactante volume de jacinto-de-água

Rio Sorraia

São também frequentes os problemas de entupimentos de mangueiras e canais de irrigação que se traduzem num impacto negativo para a economia local. Acções de controlo mecânico e monitorização da evolução de jacinto de água apresentam um caracter de urgência que deverá ser visto como investimento a longo prazo, sendo esta a única forma de preservar este ecossistema aquático.

Sandra Alcobia

Sandra Alcobia

Bióloga

Sandra Oliveira Alcobia is a grant research holder within the project “Monitorização da comunidade de mamíferos na Unidade de Gestão Florestal da Companhia das Lezírias, S.A. e a conciliação das actividades de gestão com a preservação das espécies prioritárias. Projecto desenvolvido na Companhia das Lezírias” under the supervision of Professora Doutora Margarida Santos-Reis (Carnivore Conservation Ecology) of CE3C.

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