Segundo dia após Abertura do dique do Sorraia, por Alberto Santos

Hoje sinto-me bem mal. A caminho do Porto Alto na ponte da várzea de Samora vejo que o rio Almansor está completamente tapado de Jacintos. Empurrados pela força da maré os Jacintos são obrigados a subir pelo Almansor, rio que estava completamente limpo destas plantas.

Dique do Sorraia
Foto: Alberto Santos

É o segundo dia após a abertura do dique do Sorraia, a abertura continuou e as máquinas trabalhavam, quem pensou que estas invasoras iam por água abaixo até ao Tejo para definharem com a salinidade, enganou-se redondamente. As que se movimentam para jusante voltam com a maré. Serão alguns dias até partirem de vez. Palavras de quem já testemunhou situações idênticas, mas nunca desta dimensão.

Dique do Sorraia
Foto: Alberto Santos

A massa de jacintos acumulada, neste momento chega a Benavente, em algumas zonas estão tão compactados que nem com a força da vazante se soltam. São Km de um verde que não é bem vindo.
Junto à zona ribeirinha de Benavente pessoal da CMB e da ARH Tejo tentam soltar as ilhas presas nos troncos das árvores mortas que jazem dentro no leito do rio e nas ramagens caídas das que ainda seguram as margens. Mostrei-lhes as fotografias que tirei, não têm a noção da dimensão deste problema e coçam a cabeça com uma expressão de quem foi apanhado de surpresa.

Dique Sorraia

Um esforço não compensado, o barco não tem condições de navegabilidade e a retro é curta demais para esta tarefa. Apercebo-me que alguma coisa os preocupava, isto não estava assim, dizia-me um eles. Começamos há uns dias e não tínhamos problemas com o barco, ontem tudo mudou.
Concluo que o dique do Sorraia foi aberto e a informação não chegou a todos.

Alberto Santos – Movimento Juntos pelo Sorraia

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