Rio Sorraia é visto como o “depósito local de entulho”

Rio Sorraia depósito local de entulho

Uma breve passagem pelo Trejoito revela bem o esforço que tem vindo a ser realizado na luta contra o jacinto-de-água que há anos se instalou no rio Sorraia. As marcas deixadas pelas máquinas são visíveis ao longo do caminho que acompanha o curso do rio, permitindo o acesso à margem em diversos pontos onde o azul da água é já visível. As redes de contenção parecem estar a exercer bem a sua função e grande parte da massa verde de jacinto-de-água foi já retirada, ainda que em detrimento de alguns salgueiros, lentiscos ou freixos. É possível perceber todo o trabalho manual que ainda se avizinha, de modo a conseguir remover os jacintos que se encontram enredados na vegetação ribeirinha e evitar assim a contínua propagação da espécie. Foi gratificante perceber a presença de indícios da passagem de lontra em alguns pontos, junto à margem. Significa que com trabalho continuado, a vida no rio pode voltar ao normal.

Depósito local de entulho

Contudo, o sorriso e a esperança rapidamente desvanecem, quando percebemos que continuadamente o rio Sorraia é visto como o “depósito local de entulho”. A falta de respeito por quem diariamente se tem esforçado para o restauro de um curso de água tão importante como o rio Sorraia não pode mais ser tolerada. Bastou que as máquinas fossem deslocadas para outras áreas do rio, para que rapidamente os depósitos ilegais de entulho proveniente de obras, fosse descarregado junto às margens do Sorraia.

Rio Sorraia depósito local de entulho

Estes comportamentos vêm reforçar a necessidade de devolver aos rios portugueses, os seus guardas há demasiados anos afastados. A luta não é apenas contra uma praga, a luta é pela revitalização do rio, o restauro da vida que em tempos teve, pela sua utilização recreativa ou mesmo agrícola, mas sempre de forma sustentável. Depósito de obras, lixo, poluição, não cabem na equação da sustentabilidade.

Sandra Alcobia

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