Consegue imaginar um só dia da sua vida sem água?

Dia da Agua

No dia em que se comemorou os rios uma pergunta ficou no ar: Consegue imaginar um só dia da sua vida sem água? Dificilmente conseguimos passar um dia que seja sem recorrer de alguma forma ao uso da água seja ela de forma directa ou indirectamente através do uso de artefactos e instrumentos que requereram a utilização de água na sua produção. A utilização diária de água e a facilidade com que lhe acedemos levam as sociedades mais desenvolvidas a dar por garantida a sua presença sem se questionar acerca da sua proveniência, estado e escassez. Na grande maioria das vezes, é necessário estar perante um cenário de seca ou poluição para que nos lembremos da necessidade de assegurar a sua qualidade e reservas para o futuro (FAO, 2013).

Estamos perante um dos maiores desafios mundiais que assegurem o acesso a água potável para biliões de pessoas

Os recursos hídricos entram nas nossas vidas através de rios, lagos e aquíferos subterrâneos que nos fornecem água potável para consumo directo, saneamento e agro-pecuária e também dos oceanos que providenciam o habitat ideal para diversos suplementos alimentares. Contudo a expansão da agricultura, o aumento do número de barragens e a poluição representam sérias ameaças para este recurso insubstituível. Por outro lado, as previsões apontam há mais de 20 anos para que alterações climáticas bruscas se traduzam em profundos impactos no ciclo hidrológico na medida em que alterações na temperatura influenciarão os padrões habituais de precipitação, aumentando a sua intensidade em algumas regiões e diminuindo noutras, influenciando ainda o aumento de tempestades ou furacões com implicações cada vez mais severas (Svobodova et al, 1993). Podemos mesmo afirmar que estamos perante um dos maiores desafios mundiais que assegurem o acesso a água potável para biliões de pessoas (Taylor et al, 2008).

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Segundo o relatório da UNESCO (2018) é necessário que novas medidas de gestão de recursos hídricos surjam e sejam implementadas de modo a suprir as necessidades de uma população em contínuo crescimento. Com o aumento populacional e face ao crescente consumo de água, prevê-se que os recursos estejam reduzidos a um terço em 2050. Juntando a esta equação a degradação ambiental, a destruição de ecossistemas e as alterações climáticas e que se estima que desde 1900, entre 64-71% da área húmida em todo o mundo tenha sido perdida devido à actividade humana, com grandes impactos negativos na hidrologia, quer ao nível local e regional quer a uma escala mundial (UNESCO, 2018), não é difícil perceber a urgência na implementação de novas formas de gestão de recursos naturais através de uma utilização mais sustentável da água.

A preservação dos rios não passa pela implementação de mais barragens ou diques de contenção.

A preservação dos rios não passa pela implementação de mais barragens ou diques de contenção. Devemos ter sempre presente que as barragens perturbam o fluxo natural do rio que poderá afectar as pessoas a jusante que dele dependem. Devemos ter sempre presente que diques de contenção associados à desflorestação das margens conduzem a problemas de assoreamento. Devemos ter sempre presente que o assoreamento dos rios conduz à estagnação de águas e à criação de barreiras que impedem o fluxo natural da água. Devemos ter sempre presente que a estagnação de águas diminui a oxigenação que associada ao sistema agrário que a circunda conduz à eutrofização da água com consequências directas em toda a fauna envolvente. Devemos ter sempre presente que se estima que em 2030 quase metade da população mundial viverá nas áreas do esforço elevado da água que cada vez mais merece o nosso respeito. Devemos sobretudo ter sempre presente que devemos um profundo respeito pelo sistema que representa um rio, pela história que nos conta, pela cultura que carrega, pelo bem que nos trás e juntos podemos trabalhar no sentido de manter e melhorar a saúde dos nossos rios.

Sandra Alcobia

Referências bibliográficas

  • FAO (2013). Water challenge badge – (fao.org/publications)
  • The Habitable planet , Unit 8 – Water resources (learner.org)
  • Svobodova, Z., Lloyd, R., Machova, J., Vykusova, B. (1993). Water quality and fish health – EIFAC TECHNICAL PAPER 54 – FAO
  • Taylor, P., Gabbrielli, E. & Holmberg, J. (2008). Economics in Sustainable Water Management Training Manual and Facilitators’ Guide. Cap-Net, GWP and EUWI-FWG.
  • WWAP (United Nations World Water Assessment Programme)/UN-Water (2018). The United Nations World Water Development Report 2018: Nature-Based Solutions for Water. Paris, UNESCO.

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